segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Resposta a Marlene

Vogamos.
Olhamos o mundo com o espanto de sempre. Ou a serenidade possível.
Esperamos.
A passagem dos dias que escondem o passado sombrio e auspiciam um futuro mais perfeito.
Cremos.
Naquilo que cada um consegue: em nós mesmos, num deus ignoto, nos outros (poucos), no acaso ou na sorte.
Somos.
Cada hora, química e emocionalmente; existimos.
E haveremos de nos reencontrar.
Até lá, abraço.
M. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Hoje também é dia

Hoje também é dia de ressuscitar o blog adormecido
Acordei e pensei que hoje seria um bom dia para eu dizer
Se assim eu tivesse algo que contar

Mas que seja, que importa
Mesmo sem contraponto, eu conto
Conto vantagem...
Conto dinheiro...
Conto pelos dedos as vezes que escrevi depois da oficina

E não pode ser...

Por onde andam vocês?
O que têm escrito?
Que música ouvem quando acordam?
Que livros lêem antes de dormir?
Que sol é esse que vos ensombrou a escrita?
Que verão é esse que vos levou daqui?

Sem o que contar, eu conto convosco
Para que voltem vezes sem conta
aqui

Porque hoje também é dia

terça-feira, 17 de junho de 2008

Convite (transmissão de)

A Livraria POETRIA convida todos os que sentem a poesia "de todas as maneiras" para a apresentação do livro "Amanheceste em mim pelo poente", de José Custódio Almeida da Silva, no próximo dia 20/06/08, no Palacete Balsemão, pelas 21,30 h.

A Drª Maria Helena Padrão fará uma intervenção sobre o autor e serão lidos poemas com acompanhamento musical (guitarra clássica), seguindo-se uma sessão de autógrafos.

Informações: 222023071


POETRIA

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Dizer poesia

No "Câmara Clara", ontem, especial evocação de Pessoa e suave menção de esplêndidos outros, com a presença da fabulosa Germana Tânger, hoje com 88 anos.
Espero que tenham assistido.
Imperdível, de mágico.



GERMANA TÂNGER foi professora de dicção no Conservatório Nacional durante 25 anos. Apresentou o programa semanal «Ronda Poética», na RTP.
Em 1948 iniciou um longo percurso durante o qual divulgou por todo o mundo grande parte dos poetas portugueses, através de muitos recitais que realizou.
Em Novembro de 1999 fez a sua despedida artística no Teatro da Trindade, 40 anos após ter dito pela primeira vez a «Ode Marítima», de Álvaro de Campos.
Em Setembro de 2004 foi publicado pela editora “Assírio & Alvim” um livro-áudio, prefaciado por José Augusto França, com poemas de Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, seleccionados e ditos por GERMANA TÂNGER, agora com a veneranda idade de 86 anos.
Trata-se de uma gravação ao vivo feita no Teatro S.Luiz no início da década de 1970, por ocasião de um recital de poesia e piano por Germana Tânger e Adriano Jordão.
Fonte NOVA CULTURA – Novembro 2004

domingo, 8 de junho de 2008

Regressar sempre a Mahler.
Nenhum outro, e foram tantos, trouxe a melancolia tão à superfície do mar. Nenhum outro, e como são inesquecíveis, trouxe o acorde da comoção de tão longe. Nenhum outro, e não os esqueças, levou a devastação da perda tão ao fundo da beleza.
“Wo die schönen Trompeten blasen” por Anne Sofie Von Otter no ciclo de canções “Des Knaben Wunderhorn” e todas as outras.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

COMO DESABITADO, O CORAÇÃO

Podem acontecer milagres. Podem
acontecer, e então a música decerto estará lá,
as palavras surgirão então, o sol, o girassol, a luz
que gira em torno de eixo feito de outra luz.
Poderia ser deus, ou paz.
Sentir. E de repente o mundo a acontecer,
o milagre do mundo a acontecer –
Milagres.

Lázaro em vestes brancas,
ausente o pó do quarto onde morara, entretecido
a morte e cheiros de planeta envelhecido.
A estrela nova nascendo dos seus pés.
Eis-me, em milagre e mudo.

Lázaro, a sua voz
em sinfonia muda

Ou a violência dentro do coração,
vibrando dentro do coração, ventrículo desfeito
por esta certeza: surgirão as palavras a seguir,
tão lisas e potentes como a música.
Milagres.

Podem acontecer.
Serão como a beleza das pirâmides, a
perfeição: onde pequeno seixo atravessado em falha?
Onde folha finíssima por entre as pedras, as siamesas pedras,
resistentes ao vento e ao deserto, a sua forma, a esplêndida,
a forma mais capaz de resolver enigmas?
Nessa folha finíssima, ou na pedra:
o mais puro milagre

Podem acontecer: junto ao deserto do gesto desumano,
o chicote, a tortura, o revólver bramando no vazio,
a mão que se detém, a boca que não grita,
Lázaro, a sua voz. Igual a música
Eis-nos, e mudos


O conhecer mais puro. O ar que traz os sons,
o tempo a transportar a luz. As estrelas já mortas,
de onde nascemos, a sua luz ainda. Aqui, junto de nós.
Habitar sem saber a mecânica quântica, igual
a habitação de coração.
O pensamento mais iluminado.
Saber da energia, o mais puro conceito.
Como Deus

Milagres. Podem ainda assim
acontecer ao longo do deserto, das fronteiras
erguidas, quase tocando o céu, como pirâmides.
De Rodes, o colosso dividindo, mas aberto aos navios,
o sândalo, a canela, especiarias, mais de mil cheiros,
saltos de gigante, pirateado o coração e o sol.
E ao seu lado, a voz humana:
Cal viva e uma paisagem de cacto e maravilhas.
Alguns

milagres.
Junto à vida amputada, à clave, à carne rota,
ao eminente apodrecer das cores:
capazes de fazer tombar ruídos longos,
e ficar só um timbre, mas mais que uma miragem,
um timbre, som de diapasão vibrando pelo tempo,
ou festa de Babel.
A estrela que morrera, a sua luz cruzando
o velho éter, já não éter, mas tempo

Anoitece, e está vermelho o sol ao lado das pirâmides.
Há-de ser isto o eixo de outra luz,
amigos a saudar-se, devagar,
ao lado do silêncio, hão-de surgir.
A eclosão de impérios. Cheiro o cheiro a marfim,
de sílabas tão brancas

Lázaro fala, pela primeira vez.
rouco de voz, primeiro, depois a sua voz:
Eis-me em milagre, mundo!

E o reconcerto abate-se na luz,
e um dedo basta para o reconforto. Um dedo.
As suas veias. Fio de cabelo ou pena de pavão
tornam-se sons, leve ponto de açúcar, se o vento de galáxia
os amacia. Podem então,
em longo desconserto


E encostada à música, essa palavra nova nascerá:
sina dos olhos que não viram nada,
mas com peixes ao fundo, multiformes,
a voz sem palco e tudo a acontecer,
Podem então, alguns deles então, acontecer,
a derradeira vez como
primeira vez -


Ana Luísa Amaral


Poema original, para todos.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Entrevista e Notícia

Também soube da notícia hoje. Espero que a Ana Luísa não leve a mal que eu (re)publique aqui a sua entrevista ao JPR (rádio do curso de ciências da comunicação). Está em formato de vídeo porque não sei como colocar audio no blogue. Também podem ler a notícia do JPN (ciberjornal do curso). E aproveito para fazer publicidade aos dois.

P.S.: O jantar correu bem? Tive imensa pena em não ir mas em semana de exames e entrega da trabalhos é difícil.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

LINDO!

Visto hoje, no "Global":

ANA LUÍSA AMARAL VENCE PRÉMIO!

O Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores foi atribuído ao livro “Entre dois rios e outras noites”, de Ana Luísa Amaral.
O júri tomou a decisão por unanimidade.
Nascida em Lisboa, Ana Luísa Amaral vive em Leça da Palmeira e é professora universitária.

E foi a nossa musa!
E uma "diseuse" fenomenal; uma inspiração.
Obrigada pelo tempo, carinho e... clandestinos cigarros!
Xi-coração!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

JANTAR NO DIA 4 DE JUNHO ÀS 20.30

Olá a todos!
Na última sessão combinámos realizar um jantar de "fim de curso" no dia 4 de junho, quarta feira, pelas 20.30 no restaurante Casa de 3 . Podem ver a localização aqui.

A Ana luísa Amaral aceitou o nosso convite e vai estar presente.
Combinámos tambem trazer textos nossos para serem lidos no local ( quem quiser, é claro). Vamos ter uma sala só para o grupo, ou seja, privacidade garantida.

Pedia-vos o favor de confirmarem aqui a presença no jantar ou então enviarem-me um mail.
Qualquer questão ou sugestão digam...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Segue o ofício na oficina ou fora dela?

Vivam.
Infelizmente não estive cá na semana passada. Há notícias sobre a continuação da nossa oficina?
Grande abraço
Joana Espain


A Sílaba
Toda a manhã procurei uma sílaba.
É pouca coisa,é certo:uma vogal,
uma consoante,quase nada.
Mas faz-me falta.Só eu sei
a falta que me faz.
Por isso a procurava com obstinação.
Só ela me podia defender
do frio de janeiro,da estiagem
do verão.Uma sílaba.
Uma única sílaba.
A salvação.
de Ofício de Paciência


Eugénio de Andrade

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sessão de hoje

Olá a todos!
Só cheguei sábado a Portugal por isso estou um bocado confusa com estas trocas de sessões. A de hoje é para ser a última?
Infelizmente acho que não vou conseguir ir, pelo menos não a horas porque tenho muito para recuperar, mas se não fosse a última era menos dramático.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Poesia também pode ser isto

Amanhã assistiremos à "master class" da nossa musa mui querida Ana Luísa Amaral.
De tanta alteração de agenda, e para os mais distraídos ou incontactáveis, recordo que o "rendez-vous" é às 19h15m (!...) - deve ser para começar um bocadito depois - ; ele há o trânsito, o estacionamento, o ginásio, o lanche, o expediente burocrático a encerrar, e mil outras coisinhas que, como sabemos, provocam aquele extraordinário abre/fecha da porta, intercalando o discurso da mestra.
Noite de adeuses.
Planos para cear?
Um copo?
Dois; mais?
It's up to you (us) all.

sexta-feira, 16 de maio de 2008


Shubert nas águas, nos pássaros Mozart,
Goethe assobiando pela senda serpejante,
Hamlet em seu passo assustadiço a cogitar
- À turba tomavam o pulso nela acreditando.

Talvez antes dos lábios o murmúrio já nascera,
Sem arvoredo caísse a folha baloiçada.
A quem a dádiva de uma obra se faria
Antes da obra já tinha forma traçada.

Ossip Mandelstam,1934

quarta-feira, 14 de maio de 2008

SESSÃO EXTRA - 21 MAIO, 19.15

Boa tarde a todos.
Hoje recebi um email da reitoria com a data da sessão extra do nosso curso.
Para quem não recebeu o email fica a informação:

DIA 21 DE MAIO, 19h15m
sala de formação da Reitoria da Universidade do Porto (3º piso - sala 325)

Quanto a sessão do dia 28 de Maio ( segunda sessão extra proposta pela Ana Luísa Amaral), não tenho mais nenhuma informação.

Não vai haver sessão nesta sexta-feira?

Gostaria que alguém me esclarecesse acerca da(s) próxima(s) sessões.
Estava convencida que era na próxima sexta-feira, mas parece que houve alteração e eu não
fui informada. Se alguém puder dizer-me as últimas novidades sobre o assunto... Obrigada.

domingo, 11 de maio de 2008

Ser

Porque foi breve e insuficiente.
Porque só se declarou desconhecimento, e vontade do contrário.
Porque tudo está para saber.

À Ana Luísa Amaral, musa.
A todos, formidáveis desconhecidos, agregados numa interrogação lírica. Humana.

Extracto de uma crónica do Miguel Esteves Cardoso "A única natureza é a humana":


(...)"A ignorância humana é certamente mais nefasta que a consciência limitada dos outros animais ou a inconsciência dos outros seres vivos – mas a capacidade humana de se ultrapassar é também a grande esperança. No dia em que se consiga fazer a síntese da religião e da filosofia, praticamente aplicável, como há tantos séculos se vem tentando fazer, o Mundo poderá ser mais do que é.
O erro é abdicar do estudo, do pensamento, da devoção – o maior perigo é a facilidade. E a natureza é a coisa mais fácil e enganadora de todas. A única natureza é a humana."

A Magnólia, o som que se desenvolve nela

Em jeito de despedida, para todas as mulheres, tão belas, do grupo da Escrita Criativa, a Magnólia pela Luísa Neto Jorge



Um beijo

Renato

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Música e Poesia



E porque hoje é sexta. E se não fosse sexta era outro dia qualquer, onde a música como nada mais o faz, convida a poesia a sair à rua (não fosse a música a forma mais popular de dar a conhecer a poesia). E qual é o mal de ser popular? Retira-lhe o valor? Ou não será fantástico que sejam os acordes, as melodias e o timbre de uma voz a definir os "códigos" desta arte tão ligada aos sentimentos. Aqui sim, definitivamente trata-se sobretudo de uma questão de gostos.
Lembro-me de na primeria sessão do curso, a Marlene falar do Chico Buarque, músico e letrista do qual eu partilho a admiração ( aliás sou grande apreciador da MPB e enormemente influenciado pelas suas canções-poemas). E se calhar com isto, lançar o debate sobre as ligações entre a música e a poesia, que com o início das transmissões radiofónicas nos anos 20 e a explosão dos meios de comunicação audiovisuais da segunda metade do século XX assumiram-se como um meio de formação e recriação massificado.

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FUTUROS AMANTES

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

quinta-feira, 8 de maio de 2008

As musas na vitrine

Depois do nosso jantar
E sem sequer ter a desculpa do copo a mais
que não houve
(apenas a embriaguez dos poemas que ouvimos)
Caminhei por cedofeita
E os manequins das lojas de roupa
(musas modernas porreirinhas e estáticas como convém)
inspiraram-me esta "coisa" que aqui deixo


Bárbaras Barbies

Maquilhadas e prontas
Descobrem as montras
E seguem nuas e ai… tão tontas!
Vestidas de roupas que as descobrem

Aí vêm as Barbies
Descendo a escada do Shopping

Rijos marmelos de silicone consistência
Cinta de vespa com insistência
do health club
Na pele, o pêssego de penugem depilada
Nos lábios o gloss
de cereja nº. 2
Nas maçãs, o rosto que só cora de blush
Fruta transgénica, modificada

Aí vêm as Barbies
Descendo a escada do Shopping

Do alto dos saltos chegam superiores
Encarnam notas fora do tom
Abanam, estremecem, deslocam-se em vapores
O riso encarnado em estilhaços de baton

Aí vêm as Barbies
Descendo a escada do Shopping

Bárbaras Barbies
Aspiram ser alguém
Entre as mulheres
Benditas sois vós
Bendito o vosso ventre
Fruto da lipoaspiração